sábado, 8 de março de 2014

Tirando do armário

Naquele dia chuvoso observou como a correnteza levava tudo, arrastando cada pedra do caminho. A rua antes suja e empoeirada estava agora limpa, pensou que talvez, seria bom aproveitar a inspiração do dia chuvoso para fazer uma faxina.
Abriu o guarda roupa... Olhou as caixas amontoadas no canto, as roupas que nem lhe serviam mais. Aquela camisa xadrez que comprou com o primeiro salário, usou poucas vezes, ainda estava novinha, pois na loja só tinha GG - mas a vontade de ter uma lhe falou mais alto, o fato de ficar grande era apenas um detalhe.
Olhou os jogos de tabuleiro que tanto alegraram os dias passados, a caixa de fitas cassete empoeiradas pelo tempo. A velha filmadora JVC , quantas memórias passaram por aquelas lentes... Os velhos cobertores flanelados, um azul e um vermelho. A blusa de tricô feita pela avó, que ainda servia, bendita ideia de a fazer uns bons números maior! A caixa de cartinhas, se arrependeu por ter queimado algumas.
Mas não sentiu vontade de arrumar nada disso. Sentiu que não era o guarda roupa que precisava de uma boa ordem, e sim ela.
Fez, então, questão de olhar o que precisava ser jogado fora. Naquele lixo que não pode ser reciclado colocou os pensamentos indesejados - que insistem em atrapalhar os sonhos mais bonitos e possíveis, os sentimentos ruins - mesmo sabendo que vez ou outra eles arranjam um jeitinho e sempre voltam, as palavras que foram ditas e machucaram, o medo- este guardou um pouquinho. As ilusões - essas provavelmente nunca serão verdades mesmo. Deu um nó bem forte... Fez também questão de juntar as paixõezinhas medíocres, mágoas passadas, lembranças tristes, aquela raiva de algo que passou. Não pensou duas vezes e disse adeus a tudo isso que pesava, fazendo do passado algo presente.
Fez questão de colocar a mostra todo o amor e gratidão, se sentiu tão mais leve! Pode ver que o hoje é o mais belo presente que tinha, e ele era bom!
A limpeza interna cansa, mas é boa de vez em quando, a preguiça e o comodismo nos enchem de pó, cobrem a verdade. Desejou mais dias como aquele, mais dias para limpar o que realmente está sujo.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Burning

Olha só meu bem,
Não é que eu não me importe. 
Mas veja... Sempre gostei daquilo que é novo, do imprevisto. Posso me acomodar de tempos em tempos, mas sentimentalmente o calmo, o previsível, o estar, tem me incomodado. Na verdade nunca me contentaram.
Não é que eu não me apaixone.
Me apaixono sempre, todos os dias, e todas as vezes é a primeira vez, e também a última. Por coisas e pessoas, pois há espaço suficiente para isso dentro dentro de mim. É infinito enquanto dura, como diz o poeta. A vida assim é sempre incendiária, tem movimento; pode haver alguns danos de vez em quando. Mas esses excessos me fazem sentir que estou bem...Viva!
Não é que eu não ame.
Mas o amor é a chama mansa da fogueira que há tempos foi acessa, agora domesticada, que esquenta sem faíscas, uma ou outra de vez em quando. Ele é clamo, preguiçoso, controlado. É gostoso, mas veja bem... Não quero isso, não quero o morno enquanto ainda sentir vontade de pegar fogo. Por que estar pela metade, estar querendo outra coisa, é não estar. Metades não me agradam, muito menos as minhas.
Por enquanto convido para os meus sonhos quem eu quiser. O meu ainda é tão bom para eu querer que seja nosso.
Por isso me deixe queimar, aprender com as cicatrizes, cair e levantar sozinha. As dúvidas, o inesperado, as aventuras por enquanto me agradam. As certezas e a calmaria eu deixo pra mais tarde!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Em tudo dai graças"


Gratidão - nesse novo ano é isso que tenho, é isso que peço!
Estou onde e com quem devo estar, já aprendi há algum tempo deixar as coisas acontecerem. E ser grata seja qual for a maneira que elas aconteçam.
Fui presenteada com pequenos anjos, que fazem da minha caminhada mais fácil. Como não ser grata a isso? Como reclamar quando sinto a plenitude do bem mais importante que existe? O AMOR que tanto sinto e tanto recebo.
Quero um 2014 cheio disso. Quero que nas dificuldades essa seja minha lembrança.
Quero que isso se multiplique um milhão de vezes, pois da gratidão brota a sementinha da felicidade.

O que mais posso querer?




Obrigada  Senhor!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

No papel

Quem me dera compreender a mágica das palavras
um monte delas podem ser o que eu quiser
De onde elas vem, pra onde vão?
Me permitem ser triste, ser feliz
consertar o que errei
errar o que acertei
Escrever é um exercício, uma reflexão
Uma autoajuda, uma libertação.
É uma necessidade quando tudo aquilo transborda por dentro.
A válvula de escape perfeita.
Na mágica de agrupar todas as palavras em algo que faça sentido
Me perco nos caminhos que se mostram
e quando me encontro
por um instante
sou mais feliz.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Going back to the start

                                                         "Running in circles, coming up tails
                                                               Heads on a silence apart" 

Queria dizer que estou calma, que levo a vida de um jeito doce. Mas não, dentro de mim tudo é dúvida, sinto falta das certezas que sempre tive. Sempre me pergunto por que diabos as palavras rolam soltas em momentos assim? Acho que porque é mais fácil observar a vida na reflexão dos momentos tristes, talvez seja mais fácil perceber  que não há nada de anormal em ser imperfeita, as vezes impulsiva e defeituosa. Perceber que o ímpeto de tentar consolar o coração partido com mais uma dose ou com aquele cara do fim da balada na verdade só faz a consciência pesar no outro dia. 
Mas como julgar esses tropeços que são inerentemente humanos, na loucura dessa vida jovem? Como me arrepender pelos fracassos que me rodeiam, sem antes perceber que essa é a construção do meu caminho? Talvez de uma maneira errada, as vezes, mas a única que me  foi possível.
Nessa estranha metamorfose não cabem julgamentos, eu observo, eu sinto, e estou louca pra ver onde irei parar. Sei que tudo são altos e baixos, o prazer da vida está na mudança. 
No fundo confesso que quero voltar, voltar para aquele começo que me fez tão bem. Sei também que aquilo que acredito estará sempre aqui comigo, guiando-me pelas escolhas.
O coração tranquilo é o que eu quero,  mas se as vezes o rumo mudar, sei que tenho um norte a seguir. Afinal... A vida acontece e nem sempre espera decisões bem planejadas.
Ninguém disse que seria fácil!


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Gratidão

Quantas vezes reclamei, quantas vezes me frustei por não ter o que quero.
Inúmeras fui mal agradecida, porém basta uma simples reflexão para perceber que tudo está onde deve, que tudo caminha como planejado... Tudo está em seu devido lugar.
Aqueles que são próximos a mim estão aqui por que devem estar, os que estão distantes também.
Sinto saudades de certas pessoas e de certos momentos.
Mas tenho a certeza de que ninguém passou por mim por acaso, nem mesmo os que , de alguma forma, me fizeram triste.
Guardo cada memória com alegria, cada queda como aprendizado.
Sei que hoje não há palavra, nem sentimento mais sublime quanto a gratidão.
Pois assim como a Fênix renasce das cinzas, muitas vezes o caos é preciso, nos faz evoluir.
Por isso simplesmente agradeço... 
Obrigada, mil vezes obrigada!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Who knows

E daí me pego pensando nas mesmas dúvidas, nessa fase em que o caderninho se enche de coisas escritas.
Mais uma vez alguém passou e levou um pedacinho... De alguns que já se foram.
Avida gira e gira, mas as coisas acabam se repetindo mesmo que de uma maneira diferente. Ironia do destino. Destino?
Acho que não quero mais querer os nãos. Alguns eu ainda mantenho, mas estou aberta para o sim, para os machucados, para as alegrias e tudo mais que puder acontecer. 
Acho que agora eu quero me importar, ligar, ter importância.
Acho que quero você afinal. Quero de volta meu pedacinho, e que ele possa se multiplicar com os seus. Qual será a combinação?
Quero saber, mesmo sendo sem querer.