Como sinto saudades do tempo que jamais voltará. Esses dias ao ver fotos antigas, a saudade me invadiu como uma tempestade. Desatei-me em lembranças e recordações de, sem dúvidas, um tempo incrivelmente bom. Minha infância.
Cabelos muitas vezes despenteados, roupas sem combinar, arranhões, canelas roxas, tênis sujos. Porém uma feição tão serena e extremamente alegre, a qual só crianças podem demonstrar. O grupo que reunido transformava as manhãs, tardes e noites mais entediantes em um verdadeiro parque de diversões. Lembro-me de passar o dia todo na rua, quantas brincadeiras inventadas, quantas idas ao campinho, quantas voltas de bicicleta, cabaninhas montadas, brincávamos de escolinha, escritório, restaurante. Ah… o tempo que não volta! Se eu fechar os olhos e me concentrar por alguns momentos, posso até ouvir as contagiantes risadas, sentir o gosto da infância. Pode parecer engraçado, mas para mim ela tem gosto de acerola! Agora são apenas boas memórias… Memórias de um tempo em que tudo parecia mais leve, mais colorido, onde a minha única preocupação era pensar na próxima brincadeira.
Sempre fui muito observadora, lembro-me de ficar reparando nas pessoas, em suas feições pesadas, em seus passos sempre agitados. Confesso que muitas vezes não entendia o porquê de tanta pressa, de tantas preocupações. Agora compreendo melhor os rostos sérios, os dias agitados e infelizmente, os dias muitas vezes sem sorrisos. Arrependo-me amargamente de várias vezes não seguir o precioso conselho dos meus pais, dos meus avós. O de não querer crescer logo. Certas vezes eu queria, e até hoje não sei o motivo disso. Afinal, a infância e sua toda sua magia é uma fase fantástica.
Mais do que nunca percebo que o tempo pode ser um grande vilão, ele é justo na sua injustiça. Insiste em tirar os nossos maiores bens, insiste em tornar convivências, momentos passados em meras lembranças. Nesse caso, pelo menos, as melhores lembranças possíveis! Por isso, tenho certa gratidão para com ele. Com o passar do tempo, quando estiver bem velhinha poderei me lembrar daquela maravilhosa época, dos meus maravilhosos amigos, dos meus maravilhosos momentos. Poderei derramar lágrimas de felicidade como as que derramo agora, que traduzem, com fidelidade, a alegria e a emoção de ter vivido intensamente tudo aquilo.
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