terça-feira, 21 de agosto de 2012

Daybreak

Durante a madrugada não há os sons do dia, a luz que convida para algo a mais, as tarefas e ocupações. Só o silêncio me faz compainha, meus pensamentos são meu refúgio. O som do galo cantando de vez em quando é o único ruído que escuto, ele ecooa nas paredes e me dá a certeza de que tenho mais tempo para mim; mais tempo para conhecer, pensar, refletir. Não quero que isso acabe tão cedo, assim tudo é tão bom. 

Talvez por estar comigo mesma, por poder ser apenas eu e ter meus própios pensamentos, sem a vergonha de mostrá-los a alguém. As críticas aqui não existem, as cobranças passam longe. 

Sou apenas eu e assim quero ser… Um silêncio na madrugada. Não faço questão de ser como o dia, um livro aberto convidando a todos para aproveitar a sua luz. Prefiro ser o mistério da noite que instiga e seleciona as belas e suficientes compainhas das estrelas, da lua e quem sabe a de um galo cantando para romper o gostoso silêncio e fazer de tudo uma perfeita sincronia.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Confortably Numb

Há dias em que nada é suficiente. As conversas não instigam, a companhia não agrada, o gole de café é mais amargo do que de costume, a mensagem que chegou no celular não causou o frio na barriga que causara antes. Há dias em que a mente vaga e não encontra colo para repousar, onde a procura cansa e existe apenas a entrega. Nesses dias a vida se perde, e caminha pra lugar nehum.

Mas quando isso aconteceu? Quando o silêncio se tornou a trilha sonora, e o momento  presente a espera dos dias futuros?

A correnteza leva sem preocupações com os arranhões ou com o destino. Afinal, há esperança que depois da turbulência haja algo belo para se desfrutar. Que depois dos trovões e das nuvens o simples calor do sol seja mais bonito e além de tudo, confortante.

Sei que ninguém se perde para sempre, dentro dos mais perdidos corações há um porto seguro de amor que anseia a chegada. Basta querer, basta trocar a lente e ver que a beleza sempre esteve lá. Os sorrisos não se perderam, apenas foram abafados pelo silêncio, e por mais cinzento que esteja o dia, em algum momento no horizonte, o sol vai raiar.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Caminhos...

Tenho desejado que o tempo passe logo,e apareça algo novo para causar surpresa. Nunca fui paciente, prefiro que tudo aconteça rápido, seja a coisa boa ou ruim. A mesmice me incomoda e por isso procuro sempre me reinventar. Porém as vezes me sinto tão vazia de de vida que a inspiração some, não que eu tenha grandes problemas, mas na verdade sempre me senti tão "madura" por dentro que, por vezes, nada mais me espanta, nada mais é novo, é tudo tão banal, tão pequeno, que me sinto deslocada e não me encaixo em qualquer lugar. 

Sei que tudo é tão maior do que vejo, que me sinto presa. Como um pássaro que mira o horizonte mas está preso na gaiola. E nisso tudo me perco no medo de ser triste mais uma vez ao mostrar minha lágrimas.

Mas sou humana, o que mostro não é só alegria. Nessa condição há todos os sentimentos em mim e não é surpresa encontrar fúria e tristeza mesmo nos momentos em que procuro paz. O mundo me parece tão pequeno, quero tanto, que muitas vezes receio ser mal agradecida aos céus, mas  Deus, como amo o que me é dado, como agradeço e procuro manter a beleza de cada coisa que me é oferecida. Dentro de mim o maior desejo é que todos vejam com os olhos do amor, sintam e transmitam isso! Da mesma forma que tento sempre transmitir e plantar o que é belo.

Porém acredito que me sentir perdida também é bom, assim em vez de prosseguir sempre nos vícios de caminhos já prontos posso percorrer novos, ver a beleza que nunca vi antes, sentir o que nunca pude, e assim sigo nessa caminhada e permito, mais uma vez, me reencontrar.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Memórias

Como sinto saudades do tempo que jamais voltará. Esses dias ao ver fotos antigas, a saudade me invadiu como uma tempestade. Desatei-me em lembranças e recordações de, sem dúvidas, um tempo incrivelmente bom. Minha infância. 

Cabelos muitas vezes despenteados, roupas sem combinar, arranhões, canelas roxas, tênis sujos. Porém uma feição tão serena e extremamente alegre, a qual só crianças podem demonstrar. O grupo que reunido transformava as manhãs, tardes e noites mais entediantes em um verdadeiro parque de diversões. Lembro-me de passar o dia todo na rua, quantas brincadeiras inventadas, quantas idas ao campinho, quantas voltas de bicicleta, cabaninhas montadas, brincávamos de escolinha, escritório, restaurante. Ah… o tempo que não volta! Se eu fechar os olhos e me concentrar por alguns momentos, posso até ouvir as contagiantes risadas, sentir o gosto da infância. Pode parecer engraçado, mas para mim ela tem gosto de acerola! Agora são apenas boas memórias… Memórias de um tempo em que tudo parecia mais leve, mais colorido, onde a minha única preocupação era pensar na próxima brincadeira.

Sempre fui muito observadora, lembro-me de ficar reparando nas pessoas, em suas feições pesadas, em seus passos sempre agitados. Confesso que muitas vezes não entendia o porquê de tanta pressa, de tantas preocupações. Agora compreendo melhor os rostos sérios, os dias agitados e infelizmente, os dias muitas vezes sem sorrisos. Arrependo-me amargamente de várias vezes não seguir o precioso conselho dos meus pais, dos meus avós. O de não querer crescer logo. Certas vezes eu queria, e até hoje não sei o motivo disso. Afinal, a infância e sua toda sua magia é uma fase fantástica.

Mais do que nunca percebo que o tempo pode ser um grande vilão, ele é justo na sua injustiça. Insiste em tirar os nossos maiores bens, insiste em tornar convivências, momentos passados em meras lembranças. Nesse caso, pelo menos, as melhores lembranças possíveis! Por isso, tenho certa gratidão para com ele. Com o passar do tempo, quando estiver bem velhinha poderei me lembrar daquela maravilhosa época, dos meus maravilhosos amigos, dos meus maravilhosos momentos. Poderei derramar lágrimas de felicidade como as que derramo agora, que traduzem, com fidelidade, a alegria e a emoção de ter vivido intensamente tudo aquilo.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Just watch it

Um turbilhão de pensamentos, ideias, sonhos, dúvidas, medos, alegrias, ansiedades, angústias… As vezes parece que o espaço em você não é suficiente para comportar tantas coisas ao mesmo tempo.
Pensamentos desconcentrados, misturados. Uma verdadeira bola de neve, cuja a tendência é crescer cada vez mais, e se você não tomar o devido cuidado ela pode, e certamente, te levará junto, rolando morro abaixo. O que .restará serão as cicatrizes dessa alucinante descida, na qual é impossível medir o tempo e a velocidade. Você sabe simplesmente que foi rápido, muito rápido.
No entanto, ao chegar ao chão você percebe que seus pés estão onde deveriam mesmo estar. É a oportunidade perfeita para o ligar modo “stand by”, no qual você pára, deixa a tempestade passar e, logo então, percebe que o sol volta a brilhar. Analisa o céu claro e azul que fica como um presente. Assim, alguns medos são deixados para trás. Apenas olha e vê que as frustrações de outrora já passaram e você sabe que elas sempre passarão, é só uma questão de tempo. Tanto zelos, preocupações e confusões não se fazem mais necessários, um pouco é sempre bom logicamente, porém tudo caminha de maneira calma e segue o rumo certo, essa é a naturalidade.
As dores das cicatrizes ainda incomodam por força do hábito, mas você tem a certeza de que essas, não sangrarão novamente

terça-feira, 19 de junho de 2012

Estamos vivos, e isso é tudo!

O mundo me pertence. Meu dia acaba somente quando eu permitir. E permito-me sempre que posso, sonhar e pensar mais um pouco. Porém quantidade não significa, necessariamente, qualidade.
É inevitável fugir da parcela de incertezas, decepções, e dissabores que cada dia tem a oferecer. Já que idealizar cada ação é tentar controlar a vida, e essa é como uma caixa de surpresas que não está, e nem passa perto de nossas mãos tão despreparadas para tamanha responsabilidade! O universo pode sim conspirar a nosso favor, entretanto ele nem sempre cede aos nossos mesquinhos e ínfimos desejos. Os atos não saem sempre como planejados. E muitas vezes, eles valem mais do que mil palavras. Quem nunca se lembrou de fatídicos e curtos momentos em que, se pudéssemos voltar teríamos feito e dito tudo diferente? Ou melhor, não teríamos pronunciado aquelas simples, porém amargas palavras que mudaram o desfecho de tudo? Daí meu amigo, as horas antes planejadas para serem extensas e sublimes, se tornam um pesado e angustiante fardo a ser carregado. Onde o fim delas soa como um alívio e antes de tudo uma redenção.
Mas permitindo me contradizer, o que é um breve momento para quem tem o infinito diante de si? A cada amanhecer somos testados e colocados a prova. Aí está a chave que abre as portas dos mais maravilhosos castelos. Estes, construídos e edificados por nós. Uma nova chance - quase uma dádiva - de fazer, ser, pensar e agir de uma nova forma. Mas cuidado… o “Nunca é tarde de mais” pode e certamente chegará em algum triste instante. Portanto, percebamos o quanto antes que sim, somos ricos e temos todas as infinitas e maravilhosas possibilidades de fazermos diferente. Falta algo com toda a certeza, mas sempre faltará quando se mira o inesgotável horizonte.
Feliz é aquele que sabe fazer uso da inteligência e do bom senso, discernindo atos, medindo palavras e atitudes. Não se permita jogar e levar as coxas a incrível e breve oportunidade de estar vivo, simplesmente. E também não deixe que o medo de navegar seja maior que a própria tempestade!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vivendo...E aprendendo!

Aprendi a partir do erro. Nem todos são dignos de confiança, alguns não estão nem aí para seus sentimentos, outros não levam em conta o passado e simplesmente te apagam da memória, como se você não passasse de um fino risco feito a grafite numa folha de papel amassada. Só que o erro não veio sozinho, nesse caso trouxe com ele uma caixinha de arrependimentos, culpa, tristezas. Essas  por confiar em quem não devia, por perceber que momentos bonitos foram, infelizmente, jogados ao vento devido ao orgulho daquele que não percebe a infantilidade e mesquinharia de tal sentimento. Mas construímos castelos em cima de coisas e pessoas, alguns permanecerão fortes por toda a vida, já outros, ante a mais pequena tempestade, cairá. E caiu.
Talvez se eu pensasse menos, se me importasse menos com aqueles a minha volta acharia tudo mais bonito e brilhante. Mas não, em cada olhar eu vejo meu reflexo, me recuso a esquecer quem passou por mim, seja por um simples momento, ou por anos inteiros. Recuso-me também a esbravejar aos quatro cantos as atitudes que não julgo corretas daqueles com que me decepcionei. Simplesmente sinto pena. E certamente tomo como exemplo para não fazer igual, pois no mínimo teria imensa vergonha. Mas a caixinha também traz consigo um bônus, este se chama “realidade” a partir daí, face a face com ela me permito absorver os ensinamentos que a vida oferece, o que me faz enxerga-la mais viva, nítida e colorida.
Mas como já é dito: ostra feliz não faz pérola.  Fazer dos maus momentos exemplos, para não repeti-los, e do pessimismo beleza. Quem sabe precisava apenas de um tapinha da realidade para transformar o erro em uma bela pérola que ficará como lembrança. E nesse caso, muito obrigada, não faço questão de ter outra.